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Seja em pesadelos, sobressaltos, ou pela insónia que se tem, do sono que não se dorme as cabeças vão rodopiando em torno da negra cinza que se apossou de norte a sul e transformou tantos corações dessa mesma cor. Os sonhos parecem ter terminado, e instala-se a inutilidade nas mentes de cada um que esgotou todos os seus esforços para fazer face a tanta agonia. Os rostos transparecem o perfil sombrio que as marcas inconfundíveis do fogo, que lhes roubou tudo, deixou, uma sombra que delira e deseja acordar e ver que tudo não passou de um mero pesadelo, e que o verde das matas e canto dos pássaros e da vida ainda acontece mas o rubro não cessa tornando cinza a sua passagem. As imagens invadem casas além fronteiras, fazendo um paralelo entre imagens de um verde intenso agora possuído pelo escarlate ardente e assim se vai transformando a imagem de dia para dia, até ao negro. Veste-se de luto não só uma pessoa, uma família, uma região… mas todo um país, e não podemos deixar de explodir de raiva pala existência de tantos corpos e olhares mergulhados agora no desespero, porque outros olhos mergulharam na chama ardente. Eu sinto-me confrontada com inutilidade, pois sei que tudo o que possa fazer será sempre pouco para chegar a todos, mas talvez em nenhum outro artigo tenha sido tão directa como neste momento sobre as questões que me ficam: Para que submarinos se os fogos são em terra? Para onde foi o dinheiro desses soldados da paz, que se perdeu entre corredores de politica? E as empresas detentoras de helicópteros que são recrutadas quanto ganham pela existência de fogos de elevada proporção? E as Camâras que vantagem tem em ter terrenos nos quais não se possa fazer mais nada a não ser construir? Porque se alimentam de graça os prisioneiros e não se lhes da uma utilidade limparem as matas? Se soubessem vocês da quantidade inúmera de interrogações que se entendem na minha mente e da revolta que tenho ao ver a politica deste pais preocupada com a sua imagem ao invés de prevenir. E ainda há quem me pergunte de razões para cá ficar. Eu amo o meu país, mas detesto no que ele se transforma de dia para dia. |
| pinheirinho August 25, 2005 10:20 PM PDT Nada como uma visão politica para um mal que afecta este pais todos os anos, será que ainda sobre alguma coisa para queimar no próximo? :@ | ||
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