27.11.05
Porque ainda me lembro do teu sorriso, e ainda estás comigo …
Quantas penas foram lançadas…
Quantas lembranças permanecem agora, para sempre guardadas
E eu, e todos nós
Ficamos sós
Pois algo partiu contigo…
Porque já não olhamos juntos uma mesma direcção,
E os meus filhos não poderão correr para ti
Tu que entras-te nos meus sonhos e me avisas-te… e eu não quis saber
Já não vais mais poder contar aquelas histórias que os teus netos ouviam, e bebiam com sede e inspiração para si,
Quantas lágrimas derramadas,
Quantas mais sufocadas.
Foste tu, quem assistiu ao meu primeiro passo, aquele de quem eu aclamava o abraço sempre que vos ia ver,
Eu sei bem da minha missão… e da perplexidade de ser eu a fechar as portas que te mantinham ligado a esta vida
Mas no peito fica uma ferida, e a lembrança imortal do que sempre foste
E assim olho para os montes pela manha,
Os mesmos que percorrias tantas vezes sem parar,
Para os quais guiavas os animais para o pasto, e trazias os molhos
Esses montes que foram reprodutores de sonhos, e para os quais estendias a tua mão fértil para os veres desabrochar,
Agora teu corpo jaz num monte estéril,
Mas a tua alma e a tua lembrança gozam do verde dos teus campos tão cheios de sentimentos e sentido.
E são tantos, esses campos que sei chamados coração.