Escrita Nocturna


 



Sonia_Pereira



Nome: Sónia Pereira
Idade: 23
Sobre mim: que poderei dizer das minhas muitas paixões uma delas é a escrita, dizem que um Homem só está realizado quando planta uma árvore, tem um filho e escreve um livro, eu caminho todos os dias na busca da minha realização que para mim vai além de tudo isto, e um dos meus sonhos é sem duvida adoptar uma criança.

 

 
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29.8.05

 

Acordar

O tilintar das campainhas, por causa de um vento que bate na vidraça e entra de mansinho mas ao mesmo tempo de uma forma tão audaz pela casa. O mesmo vento que me convida a sair porta fora, ainda em camisa dou os primeiros passos em direcção à rua, descalça sobre o azulejo frio os meus pés caminham agora sobre a relva verde ainda revestida das partículas de orvalho deixadas pela noite como sinal de vida e começo de um novo dia.

Observo as partículas de água que se juntam em cima de uma folha, e que ao procurarem a liberdade se precipitam, pela acção da gravidade, no solo que as recebe. A terra que no seu seio acolhe estes milhões de fragmentos que muitos consideram nada mas que são a própria vida.

De um branco imaculado a camisa baila ao vento, e eu respiro fundo aquele primeiro ar da manhã, fico ainda a pensar naquelas gotinhas que mais parecem uma rega feita a preceito por gnomos deixando ainda mais verde, este verde jardim, e ninguém cessa a sua vontade de escorrerem até ao ventre da terra. Comparo a sua correria a dois corpos sedentos de amor e que vem na diferença tudo aquilo que os completa, tudo aquilo que lhes falta, e então correm, correm até matarem a solidão e a distância em duas bocas unidas, em sofreguidões de amor.

[Amor alavanca que impulsiona com uma força avassaladora tudo o que dá significado à vida.]

Regresso a casa sonhando contigo, que ainda sei a dormir, mas ao mesmo tempo vejo agarrado às instruções de um berço que em breve irás construir. Deito-me a teu lado, e com um sorriso nos lábios agarras-me e abandonas a tua cabeça pelo meu ventre, esvaziando-a de tudo para que possas simplesmente sentir a vida que brota, a força da alavanca que mesmo em silêncio procuras escutar. Sorrio ao perceber que levantas a camisa para que nada te separe do ventre nu, e de todos os seus sons e tons rosados.

E neste momento o vento, que abana as cortinas e as campainhas, leva consigo todos os pensamentos das batalhas que a vida nos obriga para dar lugar ao respirar aliviado e ternurento sobre a pele sedosa.

Posted at 23:34 by Sonia_Pereira

Eca
October 12, 2005   11:29 PM PDT
 
Vi cá pelo blog da Luisa Paula http://barbaraciliano.blogspot.com/ e adorei o que li.. confesso que só tive tempo de ler este post. Que demonstra uma sensibilidade sublime. ;o) sai com um sorriso e carregando o link do teu blog :p
Voltarei com mto gosto.
Ps: O aspecto do blog está um espetáculo, delicia
Betty
October 4, 2005   11:10 AM PDT
 
Bonito, como sempre. Beijos :)
Maria do Céu
September 28, 2005   10:22 PM PDT
 
Foi agradavel descobrir este seu blog, não tive ainda tempo de o ler com a merecida atenção, mas do que li levo daqui uma boa impressão.
Cumprimentos,
Maria do Céu Costa.
miss devil
September 5, 2005   03:11 PM PDT
 
oi!
simplesmente belo.
gosto das tuas palavras, fazes com k sejam mt mais k meras palavras
jokas
pinheirinho
August 30, 2005   06:19 PM PDT
 
Que bom que é ler-te mais uma vez!
;)
Tita
August 30, 2005   09:24 AM PDT
 
O começo de uma vida apenas se resume a um ser. Um ser frágil e desprotegido, aberto a um abraço protector que lhe dará a força para se erguer...
Jinhosssss
 

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