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31.3.05
A manta alentejana que cobria a cama, por cima dos 3, 4 cobertores que tantas vezes a compunham, o rosto de tez branca, enrugado pelo tempo, os cabelos grisalhos mas compridos, os olhos castanhos de um brilho intenso e o sorriso aberto que me abria sempre que passávamos juntas os longos dias, em que adoentada passava deitada na cama, e então eu a olhava, tantas vezes a vi adormecer, enquanto procurava lutar conta a fadiga, lançando-me breves sorrisos que me enchiam de ternura. E então saía de mansinho para que pudesse descansar. E assim era de novo e só a criança que descalça corria atrás das ovelhas, junto com a cadela Lili.
Os minutos demoram a passar, e eu preciso dormir, não vou aguentar mais um dia… Bom pelo sim pelo não o despertador está ligado, e sinto-me adormecer ao som dos ponteiros, porra já! Ainda agora adormeci, só mais 5 minutos por favor, tem mesmo de ser.
Olho o espelho, o meu rosto está um caos de tanto cansaço, não há nada que disfarce estas olheiras, mas um duche sempre ajuda a revigorar as energias, abro a porta ao guarda-fatos, é isso mesmo preciso sentir-me bem comigo mesma, visto as meias e o vestido verde de tons acastanhados. São cores da natureza, são cores de vida, da vida que nasce a cada dia; interessante como esta cor me dá forças para enfrentar o dia. A minha aparência muda consideravelmente, pelo menos já estou mais alegre à vista.
O trânsito está uma desgraça, onde está o respeito pelo próximo? Seria mesmo preciso tanto barulho por causa de um lugar com tantos desocupados.
O seu rosto vêm-me de novo à memória, aquela casa onde fica? Sim eu conheço-te, mas não me lembro de onde, que raio me queres tu dizer que não me deixas dormir, já viste bem o estado em que ando…?
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A visão de um rapaz de cabelos claros, olhos verdes e estatura normal, o ar de quem é muito traquina, mas a quem o tempo fez crescer rapidamente; uma terra que não conheço mas ao mesmo tempo me soa tão familiar, tudo o que ficou de um tempo que eu sei que estive ali são agora apenas ruínas. Um senhor, cujo ar pesado e duro é traído pelo brilho do olhar onde vejo a imensa ternura… porque me olham assim? Quem sou eu para vocês?
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